Muita gente não sabe, mas a tireoide, uma pequena glândula localizada na região anterior do pescoço, exerce um papel essencial para o funcionamento do organismo humano. Responsável pela produção dos hormônios T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina), ela regula o metabolismo e influencia funções importantes como frequência cardíaca, temperatura corporal, funcionamento intestinal, memória, humor, sono, fertilidade, crescimento e controle do peso.
O mau funcionamento da tireoide pode impactar diretamente na qualidade de vida, seja pelo excesso na produção de hormônios, conhecido como hipertireoidismo, que pode causar sintomas como ansiedade, palpitações, perda de peso e insônia, seja pela baixa produção dos hormônios, chamada de hipotireoidismo, que está associado a manifestações como cansaço, lentidão, ganho de peso e desânimo.
Nesta segunda-feira (25), é celebrado o Dia Internacional da Tireoide, data que busca conscientizar a população sobre a importância do funcionamento dessa glândula e alertar para as doenças que podem acometê-la.
Embora enfermidades na tireoide possam afetar pessoas de todos os sexos, as mulheres estão entre os grupos mais vulneráveis. De acordo com o endocrinologista do Hospital Universitário Ciências Médicas de Minas Gerais (HUCM-MG), Dr. Humberto Batista, “as mulheres são mais vulneráveis, especialmente após os 35 anos, durante a gestação, no pós-parto e na menopausa”. O especialista também alerta para outros grupos de risco: “pessoas com histórico familiar de doenças autoimunes, idosos e pacientes com outras doenças autoimunes”, complementa.
Diagnóstico e os principais problemas que afetam a tireoide
Além do hipertireoidismo e do hipotireoidismo, outras condições que podem acometer a glândula são os nódulos tireoidianos e o câncer de tireoide. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa é de 1.680 novos casos da doença em Minas Gerais em 2026. Em todo o Brasil, são esperados 16.450 novos diagnósticos no mesmo período.
O diagnóstico das doenças que acometem a tireoide é realizado por meio de avaliação clínica, exames laboratoriais e ultrassonografia da região. Em casos de nódulos suspeitos, a investigação é complementada com o exame de punção aspirativa.
Para o endocrinologista do HUCM-MG, o diagnóstico precoce é fundamental, uma vez que ajuda a “evitar complicações cardiovasculares, metabólicas, emocionais e reprodutivas relacionadas às doenças tireoidianas. Além disso, identificar precocemente alterações nodulares permite distinguir lesões benignas de casos que necessitam de investigação mais detalhada”.
Atenção aos sinais
Entre os sinais e sintomas que podem indicar alterações no funcionamento da tireoide, estão:
- cansaço excessivo;
- ganho ou perda de peso sem explicação;
- alterações no humor;
- ansiedade;
- depressão;
- queda de cabelo;
- pele seca;
- intolerância ao frio ou ao calor;
- palpitações;
- tremores;
- alterações menstruais;
- dificuldade de concentração;
- alterações intestinais.
“Em alguns casos, pode haver aumento do volume no pescoço ou presença de nódulos percebidos pelo paciente”, explica o endocrinologista.
Cuidados recomendados
Uma alimentação saudável e equilibrada, rica em nutrientes como selênio, zinco e ferro, pode auxiliar na saúde da tireoide. “Além disso, deve-se evitar o uso indiscriminado de suplementos e produtos ricos em iodo sem orientação médica. O mais importante é manter hábitos alimentares saudáveis e ter acompanhamento adequado quando houver doença tireoidiana”, complementa o Dr. Batista.
Embora não seja a única causa, o estresse crônico também pode agravar os sintomas e contribuir para o desequilíbrio hormonal. Hábitos como sono insuficiente, sedentarismo, alimentação desbalanceada e altos níveis de estresse podem piorar processos inflamatórios e autoimunes, favorecendo alterações hormonais.
Mensagem final do especialista
“No Dia Internacional da Tireoide, o principal alerta é que sintomas persistentes não devem ser ignorados. Cansaço excessivo, alterações de peso, palpitações, mudanças no humor e alterações no pescoço merecem investigação. Muitas doenças da tireoide têm tratamento eficaz, mas ainda há um grande número de pessoas sem diagnóstico. A conscientização, o acompanhamento médico e os exames regulares são fundamentais para preservar a saúde e prevenir complicações”, finaliza o endocrinologista do HUCM-MG, Dr. Humberto Batista.
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