Mais de 34 mil novos casos de câncer de pele não melanoma são estimados em Minas Gerais para 2026. Desse total, 4.420 devem ocorrer somente em Belo Horizonte, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Entre os principais sinais de alerta estão feridas que não cicatrizam por mais de três semanas, além de manchas ou caroços que apresentam crescimento ou alteração de cor.
O câncer de pele não melanoma é o tipo de tumor mais comum no país e representa cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no Brasil. Diante desse cenário, o dia 13 de junho é marcado pelo Dia Global de Conscientização do Câncer de Pele Não Melanoma, uma data dedicada a alertar a população sobre a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento adequado.
O câncer de pele não melanoma engloba dois tipos principais de tumor e costuma surgir com maior frequência nas áreas mais expostas ao sol, como rosto, pescoço, braços e mãos. Os tipos mais comuns são o carcinoma basocelular, que cresce lentamente e raramente se espalha para outras partes do corpo, e o carcinoma espinocelular, que pode apresentar comportamento mais agressivo quando não tratado rapidamente.
Silencioso e discreto, esse tipo de tumor acomete com mais frequência pessoas acima dos 40 anos, especialmente adultos de meia-idade e idosos. A cirurgiã oncológica do Hospital Universitário Ciências Médicas de Minas Gerais (HUCM-MG) e professora da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais (FCM-MG), Dra. Luiza Ohasi, explica o porquê disso: “O dano causado pelo sol vai se acumulando ao longo de toda a vida, e o corpo leva anos para mostrar os sinais desse acúmulo. É como se a pele fosse guardando cada queimadura, cada hora no sol sem proteção, cada bronzeado da juventude, e um dia esse acúmulo ultrapassa o limite que o corpo consegue reparar. Por isso, idosos e adultos de meia-idade são os mais afetados. Mas isso não significa que jovens estão livres, pelo contrário”.
Atenção aos sinais e alterações na pele
Qualquer pessoa pode desenvolver câncer de pele não melanoma, independentemente da cor da pele. Por isso, saber reconhecer os sinais é fundamental. Entre os principais sintomas estão:
- feridas que não cicatrizam por mais de três semanas;
- manchas ou caroços que apresentam crescimento ou mudança de cor;
- áreas da pele que coçam, sangram ou formam crostas sem motivo aparente;
- regiões da pele muito ásperas ou com descamação persistente.
Além disso, alguns grupos precisam de atenção redobrada por apresentarem maior risco de desenvolver a doença, como:
- pessoas com pele, olhos ou cabelos claros, que se queimam com mais facilidade ao sol;
- pessoas que trabalham ou passam muito tempo expostas ao sol, como agricultores, pedreiros, pescadores e vendedores ambulantes;
- pessoas com histórico familiar de câncer de pele.
“Outros fatores que poucas pessoas conhecem são o uso de cama de bronzeamento, que é tão perigosa quanto o sol, e o uso de certos remédios que enfraquecem a imunidade, como os tomados após transplantes”, reforça a Dra. Ohasi.
Autocuidado e prevenção
O uso regular do protetor solar, com reaplicação a cada duas horas, ainda é a forma mais eficaz de prevenção contra os efeitos nocivos da radiação solar, inclusive em dias nublados. Além desse cuidado, o INCA também orienta:
- evitar exposição prolongada ao sol entre 10h e 16h;
- usar proteção adequada, como roupas, bonés ou chapéus de abas largas, óculos escuros com proteção UV, sombrinhas e barracas;
- usar filtro solar próprio para os lábios;
- em atividades profissionais que envolvam radiação ou substâncias químicas, utilizar corretamente os equipamentos de proteção individual indicados.
Outro hábito importante de prevenção são as consultas regulares com dermatologistas, já que o câncer de pele não melanoma costuma ser assintomático no início, sem causar dor ou coceira. “A recomendação é que todas as pessoas façam uma consulta dermatológica pelo menos uma vez por ano, mesmo sem nenhum sintoma. Para quem já teve câncer de pele, já se queimou muito ao sol ou tem familiar com histórico da doença, a consulta deve ser a cada seis meses”, orienta a especialista.
