As hepatites virais são responsáveis por aproximadamente 1,3 milhão de mortes anuais em todo o mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Apesar desse impacto, essas doenças costumam evoluir de forma assintomática e, muitas vezes, só são descobertas quando já provocaram danos importantes ao fígado.
Entre os sintomas que causam alerta estão: cansaço persistente, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras, que podem indicar inflamação do fígado causada pelos vírus das hepatites.
No Brasil, os tipos mais comuns são as hepatites A, B e C. O vírus da hepatite D também circula no país, principalmente na Região Norte, enquanto a hepatite E apresenta menor incidência, de acordo com o Ministério da Saúde.
Embora façam parte do mesmo grupo de doenças, as formas de transmissão das hepatites variam, como explica a infectologista e diretora clínica do Hospital Universitário Ciências Médicas (HUCM), Dra. Raquel Bandeira. “A hepatite A é transmitida principalmente pela via fecal-oral, ou seja, por água e alimentos contaminados ou pela falta de higiene adequada. A hepatite B é transmitida pelo contato com sangue contaminado, por relações sexuais sem preservativo e da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto. A hepatite C é transmitida principalmente pelo contato com sangue contaminado, como no compartilhamento de seringas, materiais perfurocortantes ou instrumentos não esterilizados. A hepatite D ocorre apenas em pessoas infectadas pelo vírus da hepatite B. Já a hepatite E é transmitida principalmente por água e alimentos contaminados.”
Doenças silenciosas
Um dos maiores desafios das hepatites virais é que elas nem sempre apresentam sintomas nas fases iniciais. Em muitos casos, a doença evolui lentamente e só é descoberta após o aparecimento de complicações.
“Em muitos casos, o fígado vai sendo agredido lentamente, sem provocar sintomas evidentes no início. A pessoa pode passar anos infectada sem saber, especialmente nas hepatites B e C crônicas. É importante reforçar que a ausência de sintomas não significa ausência da doença. Por isso, a realização dos testes é essencial”, alerta a Dra. Raquel Bandeira.
Segundo a especialista, o exame para hepatites B e C deve ser realizado pelo menos uma vez ao longo da vida. Algumas pessoas, entretanto, precisam manter atenção redobrada, entre elas:
- gestantes;
- pessoas que tiveram relações sexuais sem preservativo;
- pessoas que compartilham seringas ou objetos perfurocortantes;
- pessoas que fizeram tatuagens, piercings ou procedimentos com materiais não esterilizados;
- profissionais da saúde;
- pessoas privadas de liberdade;
- pessoas vivendo com HIV;
- pacientes em hemodiálise.
“Também é importante testar pessoas que receberam transfusão de sangue ou derivados antes da implantação de controles mais rigorosos, além daquelas que apresentam alterações nos exames do fígado”, ressalta a infectologista e diretora clínica do HUCM.
Pelo Sistema Único de Saúde (SUS), estão disponíveis gratuitamente testes rápidos para hepatites B e C, além das vacinas contra as hepatites A e B. “A vacina contra a hepatite B também protege contra a hepatite D, porque esse vírus depende do vírus B para causar infecção. Já para a hepatite C ainda não existe vacina. Por isso, o diagnóstico precoce e o tratamento são fundamentais”, complementa a Dra. Raquel.
Como prevenir
A prevenção continua sendo a principal forma de combater as hepatites virais. Entre as medidas recomendadas estão:
- manter a vacinação em dia;
- usar preservativo em todas as relações sexuais;
- não compartilhar objetos de uso pessoal, como lâminas de barbear, alicates de unha, escovas de dentes, seringas e agulhas;
- exigir materiais esterilizados em procedimentos como manicure, tatuagem e piercing;
- lavar bem as mãos;
- consumir água tratada e alimentos seguros.
Julho Amarelo
Durante todo o mês de julho, a campanha Julho Amarelo reforça a importância da prevenção, da realização dos testes, do diagnóstico precoce e do tratamento das hepatites virais.
Sem tratamento adequado, essas doenças podem evoluir para complicações graves, como cirrose, câncer de fígado e necessidade de transplante hepático.
O diagnóstico é o começo do cuidado
Receber o diagnóstico de uma hepatite viral não significa uma sentença definitiva. Atualmente, existem tratamentos eficazes e acompanhamento especializado para controlar ou até curar algumas formas da doença.
“A primeira orientação é não entrar em pânico e procurar atendimento em uma unidade de saúde. Hoje existem exames capazes de identificar o tipo de hepatite, a fase da infecção e avaliar a saúde do fígado. A partir desses resultados, a equipe define a melhor conduta. Também é importante evitar a automedicação e o consumo de álcool, manter hábitos saudáveis, seguir corretamente o tratamento quando indicado e orientar parceiros ou familiares quando houver risco de transmissão. No caso da hepatite C, há tratamento com altas chances de cura. Já na hepatite B, existem medicamentos que controlam a doença e reduzem o risco de complicações. O diagnóstico é o começo do cuidado, não uma sentença”, finaliza a infectologista e diretora clínica do HUCM.
